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AGROFLORESTANDO E SINTROPIA

September 10, 2018

 

 

                        "Quando as pessoas, a terra e a comunidade são como um só, todos os três membros prosperam;                             

          quando não se relacionam como membros, mas com interesses concorrentes, todos os três são explorados."                    Land Institute

 

Essa história que vou contar hoje começou muito antes do ano de 1500, ano que os portugueses chegaram aqui ao Brasil, e que os habitantes que aqui estavam desfrutavam de uma relação com a natureza a qual sabiam o quão parte eram dela e  da essencialidade da floresta para a sua sobrevivência e de todos os outros seres vivos,  o que refletia no bem estar de todas as formas de vida.

 

Entretanto, quando os portugueses aqui chegaram, pensaram, observando com olhares de fora, que os índios não cultivavam seus alimentos, pois não havia uma forma “explícita"  de plantio e cultivo conforme com os que estavam habituados.

 

No entanto, o que os portugueses não perceberam é que a sutileza na forma de plantar, o que tornava quase que imperceptível tal prática, estava no fato de que o cultivo de seus alimentos era de forma TOTALMENTE HARMÔNICA com a NATUREZA, não se fazia necessário alterar a ordem desse grande organismo todo inter-relacionado para obter alimento, e o grande ingrediente para que isso pudesse acontecer era o calaborativismo, a interdependência que acontecia e era claramente reconhecida e incorporada.

 

Todo esse conhecimento, prática e formas de se relacionar, sabiamente reconhecida e incorporada pelos índios da América Latina, hoje, transformado em conteúdos resultantes de muitos estudos e conhecimentos pelo pesquisador e agricultor suíço Ernst Götsch, é chamada de Agrofloresta, ou Agricultura Sintrópica. 

 

Ernst Götsch escolheu o Brasil para desenvolver um conjunto de princípios e técnicas que designam a agricultura Sintrópica, e com mais de 40 anos de experiência tem levado esta filosofia que concilia a produção agrícola e recuperação de áreas degradas, tudo baseado nos processos, segundo ele, que mimetizam a regeneração natural e os processos sintrópicos da vida no planeta.

 

E vocês devem estar se perguntado…O que seria Sintropia, não é mesmo?!

 

Nas palavras do próprio Ernst, sintropia é o oposto da palavra entropia, que na termodinâmica significa a desordem dentro de um sistema, no qual parte da energia gerada neste é perdida, ou seja, a Lei da Entropia explica o consumo e degradação de energia dentro de um dado sistema. Entretanto, quando pensamos em um sistema vivo, a entropia é vencida por meio do crescimento, reprodução e, principalmente, evolução, portanto, a entropia vai do complexo para o simples, enquanto a sintropia progride do simples para complexo. Para ilustrar melhor o conceito, pensemos em um ciclo, na sintropia este se fecha, não gerando perdas e nem necessitando de elementos de fora do mesmo para funcionar, sendo um sistema totalmente sustentável, enquanto na entropia, esse ciclo não se fecha completamente, e ainda necessita de elementos de fora dele para funcionar e acaba prejudicando outros ciclos que co-existem. 

 

Portanto, a agrofloresta, ou agricultura sitntrópica, são um conjunto de técnicas e conceitos totalmente baseados na observação da natureza, que buscam uma alternativa para a produção de alimentos mas que colaborem com a regeneração de áreas degradas e do planeta como um todo, incluindo nós seres humanos. É uma forma de plantio que valoriza  e respeita o papel que cada ser vivo tem dentro do ecossistema, e que nos faz refletir, mais uma vez, os paradigmas dos quais construímos nossa forma de viver. 

 

Durante minhas andanças com a Soul Verde tive o prazer de entrar em contato com os conceitos e conteúdos sobre Agrofloresta, mas foi na última semana, mais especificamente dos dias 05 ao 09 de setembro, que foi possível vivenciá-la efetivamente participando de uma residência de Agrofloresta no centro de formação e produção agroflorestal e práticas sustentáveis chamado Epicentro Dalva (https://epicentrodalva.com.br/). 

 

A experiência foi transformadora e tão empoderadora que não poderia deixar de   compartilhar aqui com vocês !!!!

 

O Epicentro Dalva foi fundado pela MULHER INCRÍVEL chamada Karin Hanzi, filha de Marsha Hanzi, quem trouxe a permacultura para o Brasil, e após a experiência muito próxima com o próprio Ernst resolveu criar este lugar com o objetivo de produzir alimentos sob esses conceitos, mas, principalmente, propagar os princípios e práticas da Agrofloresta. 

 

Poder participar desta residência, dessa experiência, me fez perceber e, mais que isso, sentir que mais do que o prazer e o significado de plantar nosso alimento e plantar florestas de forma harmônica com a natureza, a Agrofloresta é justamente a ressignificação de cada um de nós e o despertar para o nosso papel no ecossistema, um caminho sem volta, que uma vez em contato não se tem mais como pegar o retorno ali na frente. Foi uma das experiência mais profundas e esclarecedores que vivencie, eu realmente pude presenciar o que venho estudando e propagando com a Soul Verde, o despertar para o entendimento dessa grande rede a qual fazemos parte e que só é possível existir de forma harmônica se a enxergarmos e, de fato, a sentirmos. 

 

Posso voltar mais à frente, em um novo post, para falar mais dos conceito e as práticas de Agrofloresta e Agricultura Sintrópica, pois o meu objetivo com este post foi falar dos porquês, já os meios, esses são consequências!

 

De qualquer forma, convido vocês para assistirem ao video que ilustra este post, que fala sobre agricultura sintrópica, produzido pela equipe do Ernst, e que explica de forma bem didática o conceito.

 

Por fim, sintropia era o que já acontecia a mais de 500 anos atrás, onde a desordem no sistema não era gerado pelas necessidades específicas de cada um, mas sim a convivência harmônica entre todos os seres vivos proporcionava  a prosperidade coletiva.

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