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BIOFILIA

February 3, 2020

 

 

Começo esse post te contando uma história, não tão romântica como muitas histórias de relacionamento, mas que mesmo assim vale ser contata.

 

Os primeiros humanos que se tem notícias são as Mulheres e Homens das cavernas, as quais eram usadas como forma de proteção, e até para se comunicarem através dos desenhos rupestres. Um pouco mais adiante passaram a viver em comunidades, as quais se movimentavam de acordo com suas necessidades, sem moradias fixas, os chamados nômades.

 

Durante estes dois períodos, os humanos se comportavam como a maioria dos outros animais no que diz respeito a sua relação com a Natureza, eram caçadores coletores, ou seja, apenas usavam o necessário dos recursos naturais, além de haver a consciência de respeitar o tempo de regeneração do meio para que o mesmo continuasse provendo, de forma sustentável, aquilo que lhes eram necessário.

 

Porém, como toda história que se conta, em algum momento dela acontece uma reviravolta. Não se sabe ao certo, mas aproximadamente há 10 mil anos atrás, os seres humanos, mais especificamente as mulheres, começaram a plantar seus alimentos e acumulá-los, dando início à agricultura e ao sentimento de dominação e domesticação da Natureza.

 

Este ponto de virada na história, hoje principalmente, é compreendido como início da era Antropocêntrica, ou seja, era esta onde os Humanos passaram através de uma relação falsa de domínio sobre a Natureza a negar suas origens e sua co-dependência com os outros seres vivos da Terra, se colocando ao centro e como ser superior.

 

É muito importante que tenhamos consciência desse ponto na história, entretanto, queria que ela aqui tomasse um outro rumo, bem, que voltemos para o começo de tudo e nos atentássemos para o fato que nosso habitat sempre foi a Natureza, independente de como nós nos relacionamos com ela.  Uma vez isso bem entendido, agora lhe peço para parar por alguns segundo a leitura e lembrar uma vez que esteve em contato com a natureza… seja através de um passeio, uma trilha, uma visita ao parente no interior, na praia, ou na casa daquela sua amiga ou amigo loucos por plantas.

 

Depois de pensar, te pergunto, quais foram as sensações que te vieram à mente e ao corpo, imaginando você rodeada de plantas, os cheiros, barulhos de pássaros, água correndo. ..

 

Imagino que sua resposta é no mínimo de sentimento de bem estar,  calmaria, paz, alegria, segurança. ..por mais que você não seja a pessoa mais menina ou menino do mato, mas um calorzinho no coração, isso sem dúvida você sentiu, antes de pensar qualquer coisa negativa a respeito.

 

É interessante quando paramos para pensar o quanto nos sentimos bem envoltos pela Natureza, isso tudo por que nós seres humanos temos uma ligação emocional com outros organismos vivos, um desejo instintivo como se quiséssemos nos afiliar a outras formas de vida, e segundo o biólogo naturalista americano Edward O. Wilson, onde ele afirma que se trata de algo presente em nossos genes e é hereditário.

 

Edward nomeou em 1984 essa teoria de BIOFILIA, do grego bios, que significa vida, e philia, que significa amor, a teoria afirma que os humanos têm uma necessidade inerente de afiliação com o meio natural, isso graças há anos de evolução em conjunto com este meio, uma vez que os seres humanos passaram a maioria da sua história evolucionária no meio natural como caçadores coletores, gerando uma inclinação para estabelecer um vínculo emocional com a natureza e outras formas de vida.

 

Assim como para mim, a Biofilia pode estar te parecendo uma explicação bem convincente para aqueles momentos, muitas vezes imperceptíveis mentalmente devido nossos dias corridos, mas muito sensível aos nossos corpos, de bem estar e paz quando simplesmente caminhamos por uma rua bem arborizada, ou pelo fato de querermos encher nossas casas de plantinhas cada vez mais.

 

Os neurocientistas vêm estudando o impacto da Natureza em nossos corpos e, principalmente, nas mentes, como forma de mitigar síndromes comuns à nossa sociedade como pânico, ansiedade, stress, dentre outras.

 

Nossos cérebros trabalham para gastar menos energia possível, como até uma forma de sobrevivência, e sempre que nos deparamos com situações fora do que eles estão acostumados a experienciar  isso cria ansiedade, uma resposta natural do nosso corpo, como forma de alerta para algo que possamos ter que lidar para sairmos vivos dela.

 

Edward diz que durante a evolução certas recompensas ou vantagens associadas a cenários naturais foram cruciais para nossa sobrevivência, e essas respostas positivas e não ameaçadoras ficaram registradas em nossos cérebros, o que fez com que em países como o Japão, os Banhos Florestais, experiência de imersão em meio a Florestas, têm se consolidado como forma de medicina preventiva, uma vez que demostra resultados na diminuição do principal hormônio causador do estresse, o cortisol, e da pressão arterial, bem como a melhoria da concentração e imunidade.

 

Estar próximo do que é natural, do que nos complementa e nos torna vivo, seja outro ser vivo ou físico, como água, terra, ar e as energias vitais em fluxo, é o  que nos permite ser quem exatamente somos. Pensar as cidades como lugares mais sustentáveis e resilientes esbarra na necessidade de harmonização entre o Natural e o Cultural. 

 

Portanto, mais que respostas positivas do ser humano a ambientes naturais em termos de gosto, restauração e melhor funcionamento cognitivo definidos pela teoria da BIOFILIA, esta talvez possa ser, também, uma das linhas condutoras para influenciar nossas atitudes daqui pra frente em relação ao mundo de uma maneira mais ecológica.

 

 

 

 

 

 

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