O SEGREDO DA MULTIPLICAĆĆO
- Elis Cristina
- 29 de abr. de 2019
- 5 min de leitura

à quase como uma unanimidade o desejo por aprender a fazer mudas das nossas queridas verdinhas! Sejam para nós mesmas, para presentear outra pessoa, pra aumentar a produtividade da nossa hortinha, enfim, infinitas as razões, certo?!
CERTO!
Mas junto com essa vontade sempre vem a dĆŗvida - E COMO FAZER?
E Ć© ai que jĆ” te adianto uma coisinha! NĆ£o existe regra Ćŗnica, padrƵes, afinal, no mundo das verdinhas, e que me encanta muito, nĆ£o tem certo e errado, nĆ£o tem um Ćŗnico jeito de fazer as coisas, existem VĆRIOS!
Bom, então para começarmos do começo, não é mesmo, vou contar um pouco das formas reprodutivas das plantas, onde FAZER MUDAS é uma delas, e carregada de possibilidades!
Assim como todos os outros seres vivos, as plantas tem seu ciclo de vida - NASCER, CRESCER, SE REPRODUZIR E MORRER - portanto, reprodução Ć© uma de suas metas de vida, e Ć© por este motivo que elas levam super a sĆ©rio, apresentando INĆMERAS formas para concretizar este objetivo.
A forma mais comum e conhecida de todos, e até mais anÔloga a reprodução no mundo animal, é a através de sementes!
Quem ai nunca na infância plantou a sementinha do feijão no algodão, não é mesmo, e ficou na maior ansiedade para vê-lo brotando!
A grande maioria das espécies vegetativas apresentam sementes e, portanto, tem como forma de reprodução SEXUADA, a SEMEADURA, ou seja, o plantio de sementes, seja através do ser humano e outros animais, ou ainda através da própria astúcia das plantas que sabiamente dispersam suas sementes por ai!
No mundo da jardinagem chamamos de SEMEADURA, quando adquirimos sementes e as plantamos de duas formas;
1- Em recipientes que controlam melhor a semeadura, como sementeiras, caixotes ou vasos, armazenados em locais climatizados e adequados para favorecer a germinação da semente (estufas), e depois de maiorzinhas as mudinhas são transplantadas para o local de destino - canteiros, vasos maiores, etc.;
2- Ou atravƩs da Semeadura direta, ou seja, a semente Ʃ plantada jƔ no local onde ficarƔ, no canteiro ou no vaso.
A forma de semear vai depender muito do tipo de semente, aquelas mais frÔgeis como muitas das espécies que plantamos em nossas hortinhas, como tomate e hortaliças no geral, precisam de um semear mais protegido e adequado para que a probabilidade de germinarem seja maior, e então quando mais desenvolvidas são direcionadas para seu canteiro de destino.
Entretanto, algumas outras espécies suas sementes podem ser plantadas direto no local definitivo, algumas até exigindo que assim seja por não suportarem o transplante quando novas, como o caso do nosso amiguinho feijão!
A forma de plantio também vai depender da espécie de que se trata aquela semente, mas em sua maioria é indicado que sejam enterradas até 2 vezes o seu tamanho sob a terra, pois se muito fundas não terão força suficiente para romper a terra ao germinarem.
Minha sugestão é, se comprada a semente, ler exatamente a embalagem, pois lÔ vêm todas as instruções de plantio, inclusive a época certa para tal, afinal, não se esqueçam, as plantas tem sua época certa de reprodução, influenciando diretamente na germinação da semente. Algumas sementes hibernam, e não adianta fazer tudo certinho, pois se não for o momento certo, ela não germinarÔ.
JĆ” no caso de ganhar ou colher uma semente, faƧa a tarefa de casa, pesquise sobre essa semente, veja se Ć© necessĆ”rio algum tipo de ação mecĆ¢nica ou quĆmica, como lixar ou colocĆ”-la em Ć”cido. Na natureza as sementes possuem um passo a passo para germinarem, nĆ£o basta colocĆ”-las na terra e voilĆ , algumas sementes só quebram sua dormĆŖncia depois de terem passado pelo trato intestinal de um animal, seu dispersor, por exemplo, portanto, em um caso desse, se quiser semeĆ”-la precisarĆ” simular essa etapa colocando-a no Ć”cido.
Achava que era simples, né!? Só que não! rs
Assim como tudo que falo sobre o mundo das plantas, exige estudo, exige conhecê-las de verdade, caso contrÔrio, a frustração serÔ constante!
Sendo assim, no caso de fazer mudas a partir de outras plantinhas não é diferente!
Se a semeadura é a forma sexuada de reprodução das plantas, a atividade preferida da maioria das nossas avós, e provavelmente a sua que me lê aqui, fazer mudas a partir de outras plantas é a forma ASSEXUADA de reprodução das plantas.
TambĆ©m conhecida como REPRODUĆĆO VEGETATIVA ou CLONAGEM, algo nĆ£o tĆ£o comum para nós seres humanos, multiplicar uma espĆ©cie vegetativa atravĆ©s dessa forma Ć© uma somatória de aƧƵes comuns Ć s plantas, ou seja, que acontecem independente da interferĆŖncia humana, e outras aƧƵes que derivaram do estudo dessas pelos humanos e que acarretaram em tĆ©cnicas para indução.
A mais comum e ouvida dessas técnicas são as ESTACAS, as quais utilizam-se de partes das plantas, como suas folhas e galhos, visando sua regeneração e dando origem a uma nova planta, como exemplo das folhas das queridinhas suculentas, que quando em contato com o solo geram novas e lindas suculentas.
Existem vÔrias técnicas de ESTAQUIA, as quais dependerão da espécie vegetativa em questão, mas em sua maioria, aquelas plantas de caule molinho (herbÔceas) quando tirado um galho seu, exemplo do manjericão, este primeiramente terÔ que enraizar (criar raiz) na Ôgua, e só depois poderÔ ser plantado. JÔ as plantas de caule lenhoso, durinho, seus galhos poderão, em sua maioria, serem plantados direto na terra, como o caso do alecrim e das roseiras.
Ambas as formas aconselha-se a retirada de 1/3 da Ôrea foliar do seu galho para impedir a desidratação por transpiração, além de pegar ramos de galhos na parte mediana da planta e nas Ôreas mais externas, onde se tem maior concentração de substância de reserva que irÔ facilitar o enraizamento, em um tamanho médio de 20 a 30 cm de comprimento e possuir pelo menos de 2 a 3 gemas, aquele nó nos galhos de onde sairão novos brotos.
Essas são formas generalizadas para se fazer estaquia, mas para garantir que sua estaca irÔ funcionar, o melhor é pesquisar a forma assexuada de reprodução daquela planta, e assim serÔ mais garantido que sua nova mudinha darÔ certo.
AlĆ©m da estaquia existem algumas espĆ©cies vegetativas, como o querido da vez, o Ficus lyrata, que só Ć© possĆvel sua reprodução assexuada atravĆ©s de uma tĆ©cnica mais especĆfica chamada de ALPORQUIA, que consiste no enraizamento desse ramo retirado atravĆ©s da colocação desse em contato com um outro galho ainda parte da planta mĆ£e, assim como a ENXERTIA, similar, e muito comum para as espĆ©cies frutĆferas. Ambas as tĆ©cnicas sĆ£o muito delicadas e exigem conhecimento para fazĆŖ-las para garantia de sucesso.
Assim como a Semeadura, a reprodução Assexuada também têm épocas melhores para serem feitas, no caso de plantas herbÔceas podem ser feitas durante o ano todo, mas as lenhosas recomenda-se fazer na época de repouso vegetativo, outono e inverno, quando hÔ maior concentração de substância de reserva nos galhos.
Tentei aqui contar um pouco sobre as duas formas mais comuns de reprodução das plantas, mas sem dúvida cada uma delas poderia preencher um post inteiro de tanto conteúdo e curiosidade envolvidos, mas aqui a ideia é mostrar que não existe regra pronta, não é receita de bolo, é experimentação, é atenção, observação e muito carinho, que somados as técnicas aumentam as chances de que sua nova mudinha cresça e se torne numa linda plantinha!
Tem dĆŗvida ou quer saber mais, entre em contato com a Soul Verde! ;)
