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A poesia na produção de plantas nativas; um olhar especial do dia a dia

Luiz Gustavo Fernandes
há 32 minutos
3 min de leitura

Fotos compartilhadas pelo Autor


Existe um trabalho que acontece muito antes de uma espécie nativa chegar a um projeto de paisagismo.

E muitas vezes tudo começa com uma busca.

A gente encontra uma planta, conhece uma espécie nova e, naquele momento, nem sabe direito onde aquilo vai dar.

Algumas das nossas matrizes chegam através de pessoas apaixonadas pela nossa flora. Pessoas que encontram uma espécie, se encantam, enxergam algum potencial e acabam compartilhando com a gente.

Outras chegam como sementes, estacas ou até como um pequeno vasinho.

E aquele pequeno vasinho vai crescendo. A gente vai cuidando, observando, fazendo algumas tentativas e, quando percebe, aquilo que começou pequeno já pode virar uma matriz e começar a ser produzido em uma escala maior.

E aí entra uma coisa em que eu acredito muito: a intuição.

Às vezes você olha para uma planta e sente que tem alguma coisa ali. Que vale a pena apostar nela. Que pode funcionar muito bem no paisagismo.

Nem sempre você consegue explicar o porquê.

É uma sensação. Uma curiosidade. Uma vontade de tentar.

Então a gente vai.

Começa a produzir, observa, aprende e aumenta aos poucos.

Só que nem sempre dá certo.

E isso também faz parte.

Às vezes a gente aposta todas as fichas em uma planta. Investe tempo, espaço, estrutura, forma as matrizes, acompanha o desenvolvimento e acredita que aquela espécie vai ter uma grande saída.

E aí chega a hora de vender e não acontece.

A aceitação não é aquilo que a gente imaginava.

E o que fazer?

Tentar de novo.

E mais uma vez.

Porque muitas vezes o problema não está na planta.

Ela pode ser linda, ter um ótimo potencial ornamental e ser uma excelente opção para o paisagismo. Mas ninguém conhece.

Os paisagistas ainda não tiveram contato com ela. Ainda não viram aquela planta em um jardim. Ainda não tiveram a oportunidade de experimentar.

E aí começa outro trabalho.

O trabalho de apresentar essa espécie.

Porque antes de uma planta ser escolhida para um projeto, ela precisa ser conhecida. E antes de ser conhecida, ela precisa ser vista.

É aí que o paisagista tem um papel muito importante.

É ele que pode olhar para aquela planta e pensar: por que não?

Experimentar. Especificar. Colocar em um projeto.

E, a partir daí, as coisas começam a acontecer.

Outro paisagista vê aquele jardim e gosta. Um cliente se encanta. Uma nova oportunidade aparece. O Viveiro consegue produzir mais.

E uma planta que até então era praticamente desconhecida começa, aos poucos, a fazer parte do repertório do paisagismo.

É um trabalho de formiguinha.

E talvez seja justamente isso que eu mais gosto nesse processo.

Acompanhar tudo de perto.

Ver uma planta chegar pequena e começar a se desenvolver. Observar as primeiras folhas. Entender o que ela gosta, o que ela não gosta, como responde ao manejo.

E depois de todo esse tempo, chegar ao Viveiro e encontrar uma flor.

Para mim, isso é um privilégio.

É difícil explicar a sensação.

Porque parece que a natureza está respondendo.

Depois de tantas tentativas, de tanta observação e de tanto cuidado, ela vem e te entrega uma flor.

Ou um broto novo.

Ou simplesmente mostra que se adaptou e está bem.

Eu acredito muito nisso.

A natureza tem muito para nos ensinar. Basta estar atento para perceber e querer aprender.

Mesmo depois de tantos anos trabalhando com plantas, eu continuo aprendendo.

Cada espécie ensina alguma coisa.

E talvez seja essa uma das partes mais bonitas desse trabalho. A gente nunca sabe tudo. A gente observa, tenta, erra, tenta de novo e vai aprendendo pelo caminho.

No fim, acredito que é assim que novas espécies começam a ocupar espaço no paisagismo.

Não existe uma fórmula.

Existe curiosidade, intuição, tentativa, erro, persistência e, principalmente, vontade de fazer acontecer.

Uma pequena semente, uma estaca ou um pequeno vasinho podem parecer pouca coisa no começo.

Mas dali pode nascer uma nova matriz.

Uma nova planta.

Um novo projeto.

E, quem sabe, uma nova possibilidade para a nossa paisagem.

A gente faz a nossa parte.

E a natureza, de alguma forma, sempre encontra um jeito de responder.


Luiz Gustavo Fernandes

Atuo há mais de 15 anos no mercado de plantas ornamentais, principalmente na comercialização e no desenvolvimento de mercado.

Hoje estou à frente da Flora Campineira, onde trabalho com gestão, produção e comercialização de plantas para o mercado de paisagismo. Gosto especialmente da diversidade de plantas e acredito muito no potencial das espécies nativas. Também acredito que existe espaço para diferentes plantas dentro desse amplo mercado e que muitas delas ainda podem ser mais conhecidas, utilizadas e valorizadas.

@radix.projetos l @com.plantas

 
 
 

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