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As mudanças climáticas exigem uma nova forma de projetar paisagens - Novo Curso

  • Foto do escritor: Elis Cristina
    Elis Cristina
  • 28 de jul.
  • 3 min de leitura


Durante muito tempo, projetar uma paisagem significou organizar espaços, escolher espécies e criar ambientes agradáveis para quem os utiliza. Essa abordagem continua sendo importante, mas deixou de ser suficiente diante dos desafios que enfrentamos hoje.


As mudanças climáticas transformaram profundamente a realidade das cidades e dos territórios. Ondas de calor mais intensas, eventos extremos de chuva, períodos prolongados de estiagem, degradação dos solos e perda de biodiversidade passaram a fazer parte do cotidiano. Nesse cenário, as áreas verdes deixaram de ser apenas elementos de composição estética para assumir um papel estratégico na adaptação e na resiliência dos espaços.


Esse novo contexto exige uma mudança de perspectiva. Não basta perguntar quais plantas utilizar ou qual linguagem paisagística adotar. A pergunta mais importante passa a ser outra: que funções essa paisagem precisa desempenhar para responder aos desafios deste lugar?


Quando olhamos um terreno por essa ótica, o projeto deixa de ser apenas um exercício de composição e passa a ser um processo de compreensão dos sistemas que sustentam a vida naquele ambiente. Como a água chega, infiltra ou escoa? O solo está saudável ou degradado? A vegetação existente pode contribuir para a regeneração do local? Quais serviços ecossistêmicos precisam ser fortalecidos? Como esse espaço pode proporcionar maior conforto para as pessoas e, ao mesmo tempo, favorecer a biodiversidade?


As respostas para essas perguntas orientam decisões muito mais consistentes do que simplesmente iniciar um projeto pela seleção de espécies. As plantas continuam sendo fundamentais, mas deixam de ser o ponto de partida para se tornarem parte da solução.


Essa mudança de lógica também amplia o papel do paisagismo. Uma área externa pode contribuir para reduzir temperaturas superficiais, favorecer a infiltração da água, diminuir a necessidade de irrigação, criar habitats para a fauna, aumentar a resiliência climática de empreendimentos e melhorar a experiência das pessoas. O projeto passa a gerar valor ambiental, social e econômico de forma integrada.


Essa visão dialoga diretamente com conceitos que vêm ganhando espaço internacionalmente, como Soluções Baseadas na Natureza, design regenerativo e infraestrutura verde. Em comum, essas abordagens reconhecem que os ecossistemas não devem ser vistos como um elemento complementar do projeto, mas como parte essencial da infraestrutura necessária para enfrentar os desafios climáticos do século XXI.


Ao mesmo tempo, esse cenário representa uma oportunidade para arquitetas, paisagistas, engenheiros agrônomos e demais profissionais que atuam com áreas externas. A demanda por projetos capazes de responder às questões climáticas cresce em empreendimentos, hotéis, condomínios, empresas e espaços públicos. Isso exige novas competências, novas ferramentas e, principalmente, uma nova forma de pensar o processo de projeto.


Foi justamente a partir dessa inquietação que desenvolvi a metodologia SV Paisagismo Climático. Ela reúne conhecimentos construídos ao longo da minha trajetória profissional e dos estudos em paisagismo regenerativo, Soluções Baseadas na Natureza e adaptação às mudanças climáticas, propondo uma abordagem em que o diagnóstico do lugar orienta todas as decisões de projeto.


Como forma de compartilhar esses fundamentos, estou lançando a primeira turma do curso SV Paisagismo Climático – Introdução ao Paisagismo como Solução Climática. Em dois encontros on-line, apresentarei os princípios dessa metodologia, mostrando como compreender os sistemas ambientais antes da definição das estratégias, espécies e soluções técnicas. O objetivo não é oferecer fórmulas prontas, mas desenvolver um novo olhar sobre a paisagem e seu potencial para responder aos desafios climáticos contemporâneos.


Se você acredita que o paisagismo pode ir além da estética e se tornar parte das soluções para as cidades e os territórios, será um prazer compartilhar esse conhecimento com você.


As inscrições para a primeira turma já estão abertas no link: https://curso-soulverde-psc.atoms.world/



 
 
 

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