Turismo regenerativo e paisagismo estratégico: reflexões a partir da WTM Latin America
- Elis Cristina

- 22 de abr.
- 2 min de leitura

Na última semana estive na WTM América Latina acompanhando de perto os movimentos da indústria do turismo, e pude reforçar uma percepção que vem se consolidando nos últimos anos. O setor está, de fato, em transição. A temática desta edição, “Regenerar. Restaurar. Reconectar.”, não aparece como tendência isolada, mas como um indicativo claro de mudança estrutural.
Já não se trata apenas de reduzir impactos ou adotar práticas sustentáveis de forma pontual. O debate avança para uma revisão mais profunda da relação entre turismo, território e sistemas naturais. Há um reconhecimento crescente de que a natureza não pode mais ser tratada como pano de fundo da experiência turística, mas como parte central da proposta de valor.
Ao mesmo tempo, essa mudança ainda não se reflete de forma consistente nos empreendimentos. Existe um consenso sobre a importância da sustentabilidade, da experiência e da conexão com o lugar, mas, na prática, muitas áreas externas continuam sendo tratadas como elementos decorativos. O paisagismo ainda é frequentemente pensado a partir da estética, com pouca integração às estratégias ambientais, operacionais e até mesmo comerciais dos projetos.
Na Soul Verde, partimos de uma lógica diferente. Entendemos as áreas externas como sistemas vivos, capazes de atuar diretamente sobre solo, água e biodiversidade. O paisagismo deixa de ser um complemento e passa a funcionar como uma infraestrutura ecológica integrada ao empreendimento, com impacto mensurável e alinhamento às agendas ESG.
Essa abordagem permite, por exemplo, melhorar a infiltração da água da chuva, reduzir ilhas de calor, captar gás carbônico, aumentar a biodiversidade local e diminuir a necessidade de insumos e manutenção intensiva. Ao mesmo tempo, cria espaços mais coerentes com o território, que refletem o bioma e fortalecem a identidade do lugar.
A experiência do hóspede, nesse contexto, não é o único ponto de partida, mas uma complemento. Ambientes que funcionam ecologicamente tendem a oferecer vivências mais autênticas, com maior sensação de pertencimento e conexão. São espaços que convidam ao uso, à permanência e à exploração, indo além da contemplação passiva.
Esse é um ponto importante para o setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, a diferenciação não está apenas no serviço ou na arquitetura, mas na capacidade de oferecer experiências que sejam, ao mesmo tempo, relevantes, coerentes e alinhadas às transformações ambientais e sociais em curso.
O paisagismo, quando bem planejado, pode gerar valor estratégico proporcional ao investimento realizado e à área ocupada. Pode contribuir para indicadores ambientais, fortalecer narrativas de marca, apoiar certificações e, ao mesmo tempo, qualificar a experiência do usuário.
O que se observa na WTM é que essa integração entre regeneração, operação e experiência começa a ganhar espaço no discurso. O próximo passo, e talvez o mais desafiador, é traduzir esse discurso em prática.
Para empreendimentos turísticos, isso significa repensar o papel das áreas externas desde o início do projeto, integrando o paisagismo às decisões estratégicas e não apenas às etapas finais de implantação.
Na Soul Verde, acreditamos que esse é um dos caminhos mais consistentes para alinhar turismo, natureza e desempenho ambiental. Criar paisagens que não apenas ocupam espaço, mas que regeneram, estruturam e geram valor ao longo do tempo.
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