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  • Elis Cristina

"PLANTAS DANINHAS" . .. para quem!?


"As metrópoles modernas as consideram ornamentos desnecessários da mobília urbana. Fora dos muros são hóspedes ingratos – ervas daninhas – ou objetos de produção de massa para conseguir proventos sempre mais escassos. Apesar disso, foram elas que deram a vida à atmosfera onde podemos sobreviver: sem elas a terra seria tão inóspita para nós, quanto qualquer outro planeta do sistema solar." Emanuele Coccia

Você já parou para pensar como internalizamos certas ideias, hábitos, pensamentos e conceitos, que são passados de geração para geração, e muitas vezes acabam nos causando desconhecimento e, consequentemente, PRECONCEITOS !

Pois bem, hoje resolvi falar de um tema que é rodeado de preconceitos, e que foram se intensificando ao passar do anos, mas que não podemos deixar ir adianta, vou falar sobre "PLANTAS DANINHAS".

Alguns as chamam de “plantas invasoras”, "ervas más”, “plantas daninhas”, “plantas silvestres”, “plantas ruderais”, “inços” ou simplesmente “mato”, porém, tais definições são questionáveis, uma vez que NENHUMA planta é exclusivamente nociva, sendo as circunstâncias do local e momento, o que as determinam se são desejadas ou indesejadas, por nós humanos.

Sua definição surgiu com início da agricultura, uma vez que algumas plantas não eram bem vindas em algumas lavouras, separando as plantas em dois grupos; as "Plantas Cultivadas” ou “Plantas Econômicas”, ou seja, aquelas semeadas pelos seres humanos e que possuem interesse econômico por detrás, e as “Plantas Daninhas”, sendo aquelas que nascem espontaneamente, sem o cultivo humano, podendo, ou não, interferir no plantio do grupo das cultivadas.

Já para a botânica ecológica essas plantas são consideradas plantas pioneiras, ou seja, aquelas que são evolutivamente desenvolvidas para ocuparem áreas onde a vegetação original foi profundamente alterada, nascendo, portanto, para construir um ambiente adequado para um novo início da sucessão populacional, e resultar no restabelecimento da vegetação original do local.

Durante anos, desde sua classificação, os seres humanos as detêm como inimigas, vilãs dos processos tradicionais de cultivo, principalmente da monocultura, como aponta dados do livro “Plantas Daninhas” do engenheiro agrônomo Harri Lorenzi, onde diz que impactam na redução de 30 a 40% da produção de alimentos no mundo tropical, as colocando como algo a ser combatido, e, portanto, por todo esse tempo foi o que fizeram, inicialmente na mão e nos dias atuais através de substâncias químicas e tóxicas.

Entretanto, a ação agressiva de sua remoção e desprezo as tornaram ainda mais eficientes quanto a sua sobrevivência, as tornando mais competitivas, grandes produtoras de sementes mais resistentes, com vida útil maior e de fácil dispersão.

Paramos por um instante! E antes de seguir com a leitura, te convido a trocar a lente que estamos habituados a usar, a do Egocentrismo, pela lente do Biocentrismo, e me responder:

PLANTAS DANINHAS PARA QUEM?

Segundo Craig Holdrege, escritor do livro “Thinking Like a Plant: a living science for life”, nós seres humanos temos um modele de pensar que ele chama de "Modo Objeto de Pensar", ou seja, que tomamos como certo que a Natureza consiste em coisas físicas e entidades que interagem com base em Leis físicas impessoais e, sendo assim, é essa forma de pensar que nos levou a uma relação insustentável com o mundo, pois ficamos ALIENADOS do VERDADEIRO MUNDO.

Portanto, essas plantas, com direito a sobrevivência tanto quanto qualquer outra, foram condenadas ao extermínio graças a uma forma enviesada de pensar, que nos levou a acreditar que estas estão “atrapalhando” o modelo “perfeito” que o ser humano diz ter de produção de alimentos, ou ainda mais amplo, de estar no mundo.

Infelizmente, essa polarização entre o cultivado e o não cultivado está nos levando a um caminho sem volta, a extinção de biomas inteiros como do CERRADO.

Mais do que classificar, temos que observá-las e interagir. O que podemos aprender com essas espécies resistentes? Como estas podem colaborar para que tenhamos um vida mais sustentável sobre a Terra?

São plantas com altíssimos benefícios devido sua resistência, apresentando baixíssima manutenção, exigência por água e nutrientes, por exemplo, além de serem as responsáveis por abrir caminho para sucessão de outras espécies e, consequentemente, na regeneração de ecossistemas destruídos.

Quando vi pela primeira vez um livro com título de “Plantas Daninhas”, algo me chamou a atenção! Por que alguma planta é classificada dessa forma?

Acredito e consigo perceber que as plantas não medem esforços para lutarem por sua sobrevivência e perpetuação da sua espécie, a maneira que for, mesmo que seja necessário artifícios para a eliminação de uma outra planta, mas ao mesmo tempo, é com elas que aprendi o real significado de COLABORAÇÃO, JUSTIÇA e COEXISTÊNCIA, pois elas sabem exatamente da necessidade umas das outras para sua própria existência.

Sendo assim, como nós, seres Humanos, no nosso limitado posto de "Seres Inteligentes", podemos de fato classificar uma planta como "Daninha", e dizer quais plantas devem ser cultivadas e quais não!?

Pois é! Termino esse post acreditando na importância de nos recolocarmos nosso lugar de pertencimento, e aprendermos de fato a observar, escutar e, principalmente, aprender para além do nosso próprio EU.

E é por este motivo que a Soul Verde quer celebrar essas plantas que por anos foram excluídas, as postando, semanalmente, no instagram, para apresentá-las para o mundo como também devem ser, PROTAGONISTAS DOS JARDINS!


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