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Quando a Bienal encontra a Natureza: reflexões sobre a 14ª Bienal Internacional de Arquitetura e o papel do paisagismo regenerativo nas cidades

  • Foto do escritor: Elis Cristina
    Elis Cristina
  • 1 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

14ª Bienal Internacional de Arquitetura

Entre os dias 18 setembro e 19 outubro de 2025, a cidade de São Paulo recebe a 14ª Bienal Internacional de Arquitetura, realizada na Oca do Parque Ibirapuera. Na última semana fui visitar esta edição que carrega o provocativo tema "Extremos – Arquiteturas para um Mundo Quente", refletindo sobre os limites ecológicos, sociais e climáticos que desafiam nossas cidades. Entre os muitos temas abordados, um se destacou com urgência e inovação: as Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e o papel essencial do paisagismo regenerativo.


A curadoria — sob o comando de nomes como Renato Anelli, Karina de Souza, Clévio Rabelo e outros — instigou uma arena plural: misturou utopias, saberes tradicionais, inovações tecnológicas, e diálogos latino-americanos. A proposta era provocar questionamentos e até desconfortos, estimulando os visitantes a repensar a arquitetura como ferramenta de adaptação frente aos extremos climáticos.


Dentro dessa narrativa, as SbN emergem como alternativas concretas e eficazes frente aos extremos climáticos. Ao promover a integração da vegetação, dos solos vivos e da água como elementos estruturantes do espaço urbano, essas soluções transformam cidades em organismos mais resilientes, adaptáveis e saudáveis.


Na Bienal, diversas instalações e projetos destacaram como a natureza pode ser protagonista na reconfiguração urbana: jardins de chuva, telhados verdes, zonas de retenção e corredores ecológicos foram apresentados não apenas como ornamento, mas como infraestrutura capaz de regular o microclima, reter águas pluviais, purificar o ar e criar conexões ecológicas.


O paisagismo regenerativo vai além da estética ou do verde decorativo. Ele propõe a reconstrução dos ecossistemas urbanos, respeitando o solo, o ciclo da água e a biodiversidade local. Em vez de combater a natureza, aprende-se com ela. Em vez de impermeabilizar, infiltra. Em vez de fragmentar, conecta.


Entre os destaques da Bienal, projetos que partiram da topografia, da dinâmica dos fluxos hídricos e da vegetação nativa mostraram como é possível transformar desafios urbanos — como inundações, calor extremo ou degradação ambiental — em oportunidades para criar paisagens produtivas, saudáveis e regenerativas.


A Bienal também é marcada por trabalhos e pelo importante legado do arquiteto e paisagista chinês Kongjian Yu, o qual, tristemente, faleceu no dia 23 de setembro em visita ao Brasil. Yu foi convidado para a conferência de abertura da Bienal e para contribuir no fórum de debates com sua visão inovadora sobre infraestrutura natural urbana. Reconhecido internacionalmente por seus projetos que alinham design urbano e função ecológica, Yu foi o criador do conceito de "cidade-esponja" — um modelo que prioriza a absorção e retenção da água da chuva através de soluções naturais.


Sua abordagem foi amplamente referenciada na Bienal, mostrando como é possível transformar a relação entre água e cidade. Kongjian Yu nos ensinou que a infraestrutura verde não é acessório, mas fundamento. Sua partida reforça a importância de continuarmos a evoluir rumo a modelos urbanos que regeneram em vez de extrair.


A 14ª Bienal reforça uma tendência irreversível: a de que a arquitetura e o paisagismo precisam se alinhar às dinâmicas ecológicas e climáticas. Mais do que adaptação, trata-se de regenerar paisagens, restaurar ciclos naturais e criar ambientes que favoreçam a vida — humana e não-humana.


Esse é o caminho que a Soul Verde trilha junto a seus clientes e parceiros: projetar paisagens que não apenas resistam às mudanças climáticas, mas que colaborem ativamente com a sua mitigação e adaptação.


 
 
 

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